Dona Izaura, uma mulher já de avançada idade, vivia sozinha na sua casa, e por não ter muito o que fazer, nem pessoas com quem conversar, passava a maior parte do dia olhando a rua através da sua janela, coisa muito comum nas cidades do interior.
Certa tarde, quando estava quase anoitecendo, Dona Izaura começou a ouvir uma lamúria se aproximando e logo avistou a aproximação de uma inesperada procissão.
As pessoas vestiam largas roupas brancas, parecidas com túnicas, e carregavam velas nas mãos.
Seus olhares eram estranhos, como perdidos à frente, seguindo algo que Dona Izaura não conseguia enxergar, sem notarem sua presença ali na janela.
Mesmo com a cidade sendo pequena a idosa não conseguia identificar nenhuma daquelas pessoas e não sabia que naquele dia aconteceria uma procissão.
Sempre que a igreja organizava algum evento assim o sino tocava anunciando o seu início, e isso não aconteceu naquele dia.
A procissão foi passando lentamente com aquela lamúria arrepiante até que uma das pessoas que dela participava parou na janela de Dona Izaura e lhe entregou uma vela, dizendo a ela que a guardasse e que no outro dia voltaria para pegá-la.
Com a procissão chegando ao fim Dona Izaura resolveu dormir, se recolheu, apagou a vela e a guardou na gaveta do criado-mudo ao lado da sua cama.
Durante aquela noite ela não dormiu bem, atormentada por pesadelos confusos e atormentadores.
No dia seguinte, ao acordar, Dona Izaura foi ver se a vela estava onde ela a tinha guardado, porém para sua surpresa, na gaveta, o que ela encontrou foi um fêmur seco de aparência bem antiga.
Dona Izaura horrorizada, cogitou ir até o padre e lhe contar o que tinha acontecido, mas eles nunca chegaram a se encontrar, tendo ela simplesmente desaparecido sem que ninguém conhecesse o seu paradeiro.
Hoje sua casa está vazia e abandonada, mas alguns vizinhos dizem que em certas noites é possível ver a tênue luz de uma vela bruxuleando no seu interior e os lamúrios da idosa, como os daquela procissão que apenas ela viu.
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